A filosofia é uma luta contra o enfeitiçamento de nosso entendimento por meio de nossa linguagem. (PU §109)

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Como Citar Nietzsche

 

Em filosofia, alguns autores possuem uma forma padrão própria para serem citados. A série Como Citar tem o intuito de ensinar em um nível básico essas forma padrão.

Contextualizando os problemas das edições de Nietzsche

Sabe-se que no início do século 20, a irmã de Nietzsche publicou uma seleção arbitrária de frases e fragmentos, incluindo no meio algumas falsificações, como sendo dele sob o título de “Wille zur Macht“. Após a Segunda Guerra Mundial, foram os filólogos italianos Giorgio Colli e Mazzino Montinari que conseguiram expor as manipulações da irmã com uma edição de todo o espólio. Em sua edição crítica completa das obras de Nietzsche, que apareceu a partir de 1967, o espólio compreendia as seções VII e VIII. A publicação foi feita “de acordo com princípios estritamente cronológicos” e “sem qualquer arranjo sistemático por parte dos editores”, escreveu Montinari.

Como Citar: Nietzsche

É geralmente à edição crítica de textos textos amealhados por Colli e Montinari, conhecida como: Nietzsche, Sämtliche Werke: Kritische Studienausgabe in 15 Bänden, ed. G. Colli & M. Montinari. Berlin: de Gruyter, 1980; que nos referimos ao trabalhar de maneira Crítica com as Obras do Autor.

KSA, seguida pelo número do volume, [uma vírgula] e o número do(s) Fragmento(s)

Ainda há outras 3 edições críticas que podem aparecer além da KSA que podem ser usadas como referência:
KGB – Briefwechsel: Kritische Gesamtausgabe

KGW – Kritische Gesamtausgabe

KSB – Sämtliche Briefe: Kritische Studienausgabe

Entretanto, elas ocorrem com menos frequência nos trabalhos acadêmicos.

Convenção para a citação das obras de Nietzsche
Em publicações acadêmicas da área de filosofia no Brasil é costumeiro adotar a convenção proposta pela edição Colli/Montinari das Obras Completas de Nietzsche – principalmente para publicações de trabalhos acadêmicos – em conjunto com as siglas em português no intuito de facilitar o trabalho de leitores pouco familiarizados com os textos originais.

Assim, algumas revistas recomendam que as referências às obras de Nietzsche sejam feitas da seguinte maneira:

sigla da obra [vírgula] nome da seção (se houver) [espaço] número(s) do(s) aforismo(s) (ou do parágrafo ou do fragmento) [vírgula] a sigla da obra da edição crítica (KSA ou KSB ou KGW ou KGB) [espaço] número do volume da obra da edição crítica [ponto] número da página. 

Para os textos publicados por Nietzsche: o algarismo arábico indicará a seção.

No caso de GM/GM, o algarismo romano anterior ao arábico remeterá à parte do livro.

No caso de Za/ZA, o algarismo romano remeterá à parte do livro e a ele se seguirá o título do discurso.

No caso de GD/CI e de EH/EH, o algarismo arábico, que se seguirá ao título do capítulo, indicará a seção.

Nos escritos inéditos inacabados, o algarismo arábico ou romano, conforme o caso, indicará a parte do texto.

Nos fragmentos póstumos, os algarismos arábicos, que se seguem ao ano, indicarão o fragmento póstumo.

Convenção para a citação das obras de Nietzsche

É costumeiro adotar também a convenção de siglas proposta pela edição Colli/Montinari das Obras Completas de Nietzsche. As siglas em português podem ou não acompanhar as as siglas em alemão no intuito de facilitar o trabalho de leitores pouco familiarizados com os textos originais.

I. Siglas dos textos publicados por Nietzsche:

I. 1. Textos editados pelo próprio Nietzsche:

GT/NT – Die Geburt der Tragödie (O nascimento da tragédia)

DS/Co. Ext. I – Unzeitgemässe Betrachtungen. Erstes Stück: David Strauss: Der Bekenner und der Schriftsteller (Considerações extemporâneas I: David Strauss, o devoto e o escritor)

HL/Co. Ext. II – Unzeitgemässe Betrachtungen. Zweites Stück: Vom Nutzen und Nachteil der Historie für das Leben (Considerações extemporâneas II: Da utilidade e desvantagem da história para a vida)

SE/Co. Ext. III – Unzeitgemässe Betrachtungen. Drittes Stück: Schopenhauer als Erzieher (Considerações extemporâneas III: Schopenhauer como educador)

WB/Co. Ext. IV – Unzeitgemässe Betrachtungen. Viertes Stück: Richard Wagner in Bayreuth (Considerações extemporâneas IV: Richard Wagner em Bayreuth)

MA I/HH I – Menschliches allzumenschliches (vol. 1) (Humano, demasiado humano (vol. 1))

MA II/HH II – Menschliches allzumenschliches (vol. 2) (Humano, demasiado humano (vol. 2))

VM/OS – Menschliches allzumenschliches (vol. 2): Vermischte Meinungen (Humano, demasiado humano (vol. 2): Miscelânea de opiniões e sentenças)

WS/AS – Menschliches Allzumenschliches (vol. 2): Der Wanderer und sein Schatten (Humano, demasiado humano (vol. 2): O andarilho e sua sombra)

M/A – Morgenröte (Aurora)

IM/IM – Idyllen aus Messina (Idílios de Messina)

FW/GC – Die fröhliche Wissenschaft (A gaia ciência)

Za/ZA – Also sprach Zarathustra (Assim falava Zaratustra)

JGB/BM – Jenseits von Gut und Böse (Para além de bem e mal)

GM/GM – Zur Genealogie der Moral (Genealogia da moral)

WA/CW – Der Fall Wagner (O caso Wagner)

GD/CI – Götzen-Dämmerung (Crepúsculo dos ídolos)

NW/NW – Nietzsche contra Wagner

I. 2. Textos preparados por Nietzsche para edição:

AC/AC – Der Antichrist (O anticristo)

EH/EH – Ecce homo

DD/DD – Dionysos-Dithyramben (Ditirambos de Dioniso)

II. Siglas dos escritos inéditos inacabados:

GMD/DM – Das griechische Musikdrama (O drama musical grego)

ST/ST – Socrates und die Tragödie (Sócrates e a tragédia)

DW/VD – Die dionysische Weltanschauung (A visão dionisíaca do mundo)

GG/NP – Die Geburt des tragischen Gedankens (O nascimento do pensamento trágico)

BA/EE – Über die Zukunft unserer Bildungsanstalten (Sobre o futuro de nossos estabelecimentos de ensino)

CV/CP – Fünf Vorreden zu fünf ungeshriebenen Büchern (Cinco prefácios a cinco livros não escritos)

PHG/FT – Die Philosophie im tragischen Zeitalter der Griechen (A filosofia na época trágica dos gregos)

WL/VM – Über Wahrheit und Lüge im aussermoralischen Sinn (Sobre verdade e mentira no sentido extramoral)

III. Sigla dos fragmentos póstumos:

NF/FP

IV. Edições críticas:

KGB – Briefwechsel: Kritische Gesamtausgabe

KGW – Kritische Gesamtausgabe

KSA – Werke: Kritische Studienausgabe

KSB – Sämtliche Briefe: Kritische Studienausgabe

Referências:

A maior parte do que foi dito aqui vêm diretamente desses três lugares – a única coisa que fiz foi organizar de maneira que eu encontre fácil para me orientar.

  1. https://www.scielo.br/journal/cniet/about/
  2. https://www.klassik-stiftung.de/goethe-und-schiller-archiv/das-archiv/ausstellungen/nietzsches-nachlass/
  3. https://www.deutschlandfunk.de

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