A descrição fenomenológica que Merleau-Ponty faz da proposta de uma “Linguagem Pura” expõe considerações inspiradas pela lingüística e o estruturalismo de seu tempo. A discussão apresentada no grupo de pesquisa Dissoi Logoi teve como foco expor as ideias lingüísticas de Merleau-Ponty, tal qual apresentadas no texto, mas levando três aspectos principais em consideração. Em um primeiro momento se discutiu a própria noção de uma linguagem pura, bem como suas características e limitações. Tomando o modelo de ” Linguagem Pura” esboçada por Wittgenstein no Tractatus Logico-Philosophicus como paradigma da descrição Merleau-Pontyana, foi possível identificar como características: os apsectos comoposicionais, a completa determinação do sentido, a clareza dos processos e a completude da significação. Na sequência do debate, exploramos o aspecto concernente às noção de algoritmo como uma “revolta contra a linguagem dada”. Este segundo aspecto se apresenta como ponto de corte revelador de (des)continuidades com os desenvolvimentos dos projetos positivistas, estruturalistas e fenomenológicos que conduzem a um projeto ontologico fundado sobre a linguagem. Por fim, no terceiro e último momento da discussão, exploramos o problema da “mera aparência de comunicação” revelado por Merleau-Ponty como consequência imediata de se comprometer com o projeto de uma Linguagem Pura. Esta parte da discussão foi entrelaçada com reflexões sobre a linguística de Saussure, as características da filosofia da linguagem de Frege e Wittgenstein, e a compreensão cientificista da realidade da linguagem abordada no círculo de Viena.
A reunião do grupo de pesquisa Dissoi Logoi ocorreu no dia 20/05/2021

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