A filosofia é uma luta contra o enfeitiçamento de nosso entendimento por meio de nossa linguagem. (PU §109)

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[Ética I – Aula 3] Subjetivismo

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A série Aulas de Ética se pretende uma introdução aos fundamentos da racionalidade prática.

AULA 3 – Handout

RELATIVISMO INDIVIDUAL: (Subjetivismo Simples e Emotivismo)

Ideia básica: nossas opiniões morais são baseadas em nossos sentimentos e nada mais.

Subjetivismo simples

O Subjetivismo Simples é a visão de que quando uma pessoa diz que algo é moralmente bom ou mau, isso significa que ele ou ela aprova essa coisa, ou desaprova, e nada mais.

Assim, o Subjetivismo Simples afirma que:

  • “X é moralmente correto” significa exatamente a mesma coisa que “eu (o falante) aprovo X”.
  • “X é moralmente errado” significa exatamente a mesma coisa que “eu (o falante) desaprovo X”

Argumento de Desacordo Moral (Contra o subjetivismo simples)

Premissa 1. Se o subjetivismo simples é verdadeiro, então a discordância moral é impossível.
Premissa 2. O desacordo moral não é impossível.

Conclusão: Portanto, subjetivismo simples é falso.

 

Argumento da Infalibilidade Moral (Contra o subjetivismo simples)

Premissa 1. Se o subjetivismo simples é verdadeiro, então somos todos moralmente infalíveis.
Premissa 2. Nenhum de nós é moralmente infalível.

Conclusão: Portanto subjetivismo simples é falso.

 

SEMELHANÇAS E DIFERENÇAS ENTRE O SUBJETIVISMO E O RELATIVISMO CULTURAL

Semelhanças:

  • Tanto os subjetivistas quanto os relativistas consideram as pessoas como os autores da moralidade.
  • Em ambas as visões, a moralidade é feita “por” e “para” os seres humanos.
  • Antes da humanidade existir, nada era certo ou errado.
  • Se nossa espécie algum dia for extinta, a moralidade cessa de existir.
  • Não há um código moral superior que possa medir a precisão de cada perspectiva moral possível.

Diferenças:

  • O relativismo cultural localiza o padrão moral último nos comprometimentos culturais;
  • O Subjetivismo localiza o padrão moral último no sujeito.

BALANCEANDO AS COISAS: RELATIVISMO MORAL NIILISMO MORAL

Há basicamente três opções que tentam determinar o status da moralidade:

  1. A Moralidade pode ser objetiva – suas regras se aplicam a nós independentemente da nossa opinião e dos nossos desejos;
  2. A Moralidade pode ser relativística – sua autoridade depende das preferências culturais ou individuais;
  3. A Moralidade pode ser um tipo de ficção – um conjunto complexo de regras e recomendações que não representam absolutamente nada.

As duas primeiras opções abrangem os cinco tipos de teorias éticas (Ver aula 2); a última opção é conhecida como Niilismo Moral (Do latim a palavra Nihil – significa “nada”)

Niilismo moral é a visão de que não há verdades morais! Para um niilista, se observarmos bem e dividirmos as coisas que são reais e não são reais, iremos perceber que a moralidade não é real.

O mundo não possui características morais

De acordo com os niilistas, quando nós recuamos dos problemas sobre nossas emoções, nós podemos perceber que não há nada certo e nada errado. Quando nós declaramos que um assassino é malvado ou que um filantropo é bom nós não estamos sustentando um fato. Nós não poderíamos estar, já que não há realidade moral a ser descrita. Resultado: nenhuma afirmação moral é verdadeira.

EMOTIVISMO

De acordo com o Emotivismo, a linguagem moral não declara fatos. Em vez disso, afirmações morais são usadas: 1) como uma maneira de influenciar o comportamento de outras pessoas, e 2) para expressar a atitude do falante sobre algo.

Filosoficamente falando:

Segundo o Emotivismo: as afirmações morais não têm valor de verdade.

  • “X é moralmente correto” significa exatamente a mesma coisa que “Faça X!”.
  •  “X é moralmente errado” significa exatamente a mesma coisa que “Não faça X!”

 

O Emotivismo desvia do Argumento de Desacordo Moral distinguindo: desacordos em atitude dos desacordos sobre as atitudes. Sendo que, o Emotivismo permite que haja desacordo moral em atitudes, isto é, no sentido de que interpreta uma afirmação moral como um enunciado da atitude de alguém (daquilo que a pessoa efetivamente faz). O emotivismo não permite um enunciado sobre a atitude de alguém (daquilo que a pessoa acredita ser o certo fazer, mas não age de acordo com isso).

O Emotivismo contorna o Argumento da Infalibilidade Moral ao negar que as afirmações morais sejam tipos de coisas que podemos estar certos ou errados, i.e., a moralidade não é uma questão de “fato” e, portanto, não possui valor de verdade.

Argumento da Infalibilidade Moral Revisitado (Contra o Emotivismo)

Premissa 1. Se o emotivismo é verdadeiro, então não há quais quer verdades morais.
Premissa 2. Há verdades morais.

Conclusão: Portanto emotivismo é falso.

Argumento a favor dos fatos morais (Contra o Emotivismo)

Premissa 1. Qualquer teoria moral adequada deve fornecer uma consideração da conexão entre os juízos morais e as razões que os suportam.
Premissa 2. O emotivismo não fornece tal consideração.

Conclusão: Portanto, o Emotivismo não é uma teoria moral adequada.

Argumento a favor dos fatos morais 2

Premissa 1. Se emotivismo for verdadeiro, então as razões não desempenham nenhum propósito na realização dos juízos morais.
Premissa 2.   As razões têm um propósito (forte) quando realizamos juízos morais.
Conclusão: Portanto, o Emotivismo é falso

[Continua na próxima aula…]


Programa do Curso:

  1. O que é moralidade?
    • Diferença entre Ética e Moral;
    • Diferença entre Princípio Ético e Regra Moral;
  1. A linguagem dos juízos de valor e sua lógica
    • Linguagem prescritiva;
    • Imperativos e Lógica
    • Inferência
    • Decisões de Princípio
  1. Os Desafios da Ética
    • O desafio do relativismo cultural
    • O subjetivismo na ética
    • A moralidade depende da religião?
    • Egoísmo
  1. Taxonomia das teorias éticas
    • Naturalismo ético
    • Intuicionismo ético
    • Emotivismo ético
    • Racionalismo ético

Bibliografia Primária:

HARE, R. A Linguagem da Moral. Oxoford: Clarendon Press, 1952

RACHELS, S. e RACHELS, J. Os Elementos da Filosofia Moral. 7ª ed. Amgh Editora. São Paulo, 2013.

SINGER, P. Ética Prática. 3ªed. Martins Fontes. São Paulo, 2012.

Bibliografia Secundária:

BEAUCHAMP, T. L.& CHILDRESS, J. F., Princípios de ética biomédica. São Paulo: Loyola, 2002.

HARE, R., Ética: problemas e propostas. São Paulo: UNESP, 2004.

SINGER, P. (org.), A Companiot to Ethics. Oxford: Basil Blackwell, 1996.

HONDERICH, T., Morality and Objectivity. London: Routledge and Kegan Paul, 1985.

COPP, D & ZIMMERMAN, D. Morality, Reason, and Truth. Totowa: N.J., Rowman and Allanheld, 1984.

Vaz, Henrique C. de Lima, Escritos de Filosofia II: Ética e Cultura. São Paulo: Edições Loyola, 1988.

 

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