A filosofia é uma luta contra o enfeitiçamento de nosso entendimento por meio de nossa linguagem. (PU §109)

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[Ética I – Aula 2] Relativismo Cultural e seus problemas

 

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A série Aulas de Ética se pretende uma introdução aos fundamentos da racionalidade prática.

AULA 2 – Handout

Cinco tipos de teorias éticas

  1. Monismo:Há somente uma regra moal que é absoluta;
  2. Objetivismo ético: Há ao menos um princípio moral que é objetivo;
  3. Pluralismo ético: Há ao menos dois, possivelmente mais, princípios morais, fundamentais;
  4. Particularismo ético: Não há princípios morais que sejam absolutos ou prima facie;
  5. Relativismo ético: Os princípios morais são relativos aos comprometimentos individuais ou culturais.

Elementos de Filosofia Moral – Capítulo 2: O Desafio do Relativismo Cultural.

De acordo com o relativismo cultural, uma ação é dita moralmente correta se, e somente se, esta ação obedece ao código moral da sociedade na qual esta ação está sendo executada.

Cinco pretensões do Relativismo Cultural:

  1. Sociedades diferentes têm diferentes códigos morais.
  2. O código moral de uma sociedade determina o que é certo dentro dessa sociedade; i.e., se o código moral de uma sociedade diz que uma ação qualquer é correta, então essa ação é de fato correta, pelo menos dentro dessa sociedade.
  3. Não há um padrão objetivo que possa ser usado para julgar o código moral de uma sociedade como sendo melhor do que o de outra sociedade. Em outras palavras, não há “verdade universal” na ética; não há verdades morais que se mantenham as mesmas para todas as pessoas em todos as épocas.
  4. O código moral de nossa própria sociedade não tem status especial; É apenas um entre
    muitos.
  5. É arrogante da nossa parte julgar a conduta de outros povos. Deveríamos adotar uma atitude de tolerância em relação a todas as práticas das outras culturas.

Argumento das diferenças culturais

Premissa 1. Se diferentes culturas têm códigos morais diferentes, então certo e errado varia de cultura para cultura.
Premissa 2.  De fato culturas diferentes possuem códigos morais diferentes.

Conclusão. Certo e errado são apenas uma questão de em qual código moral você está inserido.

*se o argumento das diferenças culturais está correto, então relativismo cultural é verdadeiro!

Três Consequências da Aceitação do Relativismo Cultural

  1. Não poderíamos mais dizer que os costumes de outras sociedades são moralmente inferiores nosso próprio.
  2. Poderíamos decidir se nossas ações são certas ou erradas apenas consultando o
    Padrões da nossa própria sociedade.
  3. A ideia de progresso moral é posta em dúvida.

Após uma leitura atenta do texto você deve ser capaz de responder:

  1. Reconstrua o argumento da diferença cultural para o Relativismo Cultural. Explique porque o argumento da diferença cultural é válido, mas não é correto.
  2. É possível que as ações morais sejam executadas em mais de uma sociedade ao mesmo tempo? Se sim, e se o relativismo cultural é verdadeiro, como isto pode levar a uma contradição dessa teoria? Os relativistas culturais podem escapar desse problema? Porque ou Porque não?
  3. Quais são as três consequências de se tomar o relativismo cultural seriamente?  Construa estas consequências em três argumentos específicos contra o relativismo cultural.

[Continua na próxima aula…]


Programa do Curso:

  1. O que é moralidade?
    • Diferença entre Ética e Moral;
    • Diferença entre Princípio Ético e Regra Moral;
  1. A linguagem dos juízos de valor e sua lógica
    • Linguagem prescritiva;
    • Imperativos e Lógica
    • Inferência
    • Decisões de Princípio
  1. Os Desafios da Ética
    • O desafio do relativismo cultural
    • O subjetivismo na ética
    • A moralidade depende da religião?
    • Egoísmo
  1. Taxonomia das teorias éticas
    • Naturalismo ético
    • Intuicionismo ético
    • Emotivismo ético
    • Racionalismo ético

Bibliografia Primária:

HARE, R. A Linguagem da Moral. Oxoford: Clarendon Press, 1952

RACHELS, S. e RACHELS, J. Os Elementos da Filosofia Moral. 7ª ed. Amgh Editora. São Paulo, 2013.

SINGER, P. Ética Prática. 3ªed. Martins Fontes. São Paulo, 2012.

Bibliografia Secundária:

BEAUCHAMP, T. L.& CHILDRESS, J. F., Princípios de ética biomédica. São Paulo: Loyola, 2002.

HARE, R., Ética: problemas e propostas. São Paulo: UNESP, 2004.

SINGER, P. (org.), A Companiot to Ethics. Oxford: Basil Blackwell, 1996.

HONDERICH, T., Morality and Objectivity. London: Routledge and Kegan Paul, 1985.

COPP, D & ZIMMERMAN, D. Morality, Reason, and Truth. Totowa: N.J., Rowman and Allanheld, 1984.

Vaz, Henrique C. de Lima, Escritos de Filosofia II: Ética e Cultura. São Paulo: Edições Loyola, 1988.

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