A filosofia é uma luta contra o enfeitiçamento de nosso entendimento por meio de nossa linguagem. (PU §109)

By

[Ética I – Aula 1] O que é moralidade o que são argumentos morais?

Este slideshow necessita de JavaScript.

A série Aulas de Ética se pretende uma introdução aos fundamentos da racionalidade prática.

AULA 1- Handout

O Problema da Definição

  • Boas definições não são fáceis de se encontrar e, de certa maneira, não conseguiremos dar uma definição suficientemente abrangente, não arbitrária e definitiva à palavra “ética”.
  • O que podemos fazer é formular, através de exemplos, o que deveria ser incluído em uma “concepção mínima” de moralidade.
  • Para formularmos uma concepção mínima de moralidade, exploraremos algumas intuições morais e analisaremos alguns casos em que decisões morais duras devem ser feitas.

[Propedêutica] Antes de tratarmos de moralidade, um pouco de Lógica.

Argumento: Um argumento é uma coleção de afirmações que consistem em premissas e conclusão.

Premissas: As premissas de um argumento são aquelas afirmações tentam fornecer suporte, ou fornecer provas, à  conclusão.

Conclusão: A conclusão de um argumento é a afirmação que as premissas tentam fornecer provas ou dar suporte.

IMPORTANTE: Todas as premissas intecionam dar suporte ou provar a conclusão, o que não significa que elas sempre conseguem dar suporte à conclusão! Mesmo que as premissas não consigam provar a conclusão, ainda consideramos que o enunciado é um argumento e que as afirmações são premissas e conclusões, mesmo que não forneçam prova alguma.

Argumento válido: Um argumento é válido caso ele possua uma determinada estrutura, na qual é impossível que as premissas sejam verdadeiras e a conclusão seja falsa, i.e., um argumento é válido se a conclusão é uma consequência necessária das premissas.

  • Ao chamar um argumento de válido, não estamos dizendo que as premissas são verdadeiras; apenas estamos dizendo que a conclusão segue-se das premissas.  Caso contrário, o argumento é inválido.
  • Argumentos são válidos devido a sua Forma Lógica.

Algumas formas lógicas válidas:

Modus Ponens                          Ex.
Se A então B                                Se você está lendo isso, então você não é Analfabeto
A                                                     Você está lendo isso
∴ B                                                 Portanto,  você não é Analfabeto

Modus Tolens                           Ex.
Se A então B                                Se você está em São Paulo, então está no Brasil
Não-B                                           Você não está no Brasil
∴  Não-A                                       Portanto, você não está em São Paulo.

  • O símbolo ‘∴’ significa ‘portanto’.
  • Há algumas outras formas lógicas válidas, por enquanto estas bastarão;

TESTANDO A VALIDADE DE UM ARGUMENTO [passo-a-passo]:

  1. Imagine que as premissas são verdadeiras, mesmo que elas não sejam.
  2. Pergunte-se, sem recorrer a qualquer outro conhecimento que você tem: “é possível imaginar a conclusão sendo falsa?”
  3. Se você encontrar algum motivo para que a conclusão seja falsa, mesmo que as premissas sejam verdadeiras, então o argumento é inválido.
  4. Se você não encontrar qualquer motivo para que a conclusão seja falsa e você não está enganado quanto a isso, então o argumento é válido.

Argumento correto: Um argumento é correto caso ele seja válido e todas as suas premissas sejam verdadeiras. Também podemos chamá-los de argumentos sólidos [sound].

ANÁLISE DE CASOS

Caso 1. Bebê Theresa: um bebê anencéfalo. Seus órgãos devem ser doados?

Argumento Benefícios (A favor da doação dos órgãos de Theresa)

Premissa 1. Se podemos beneficiar alguém sem prejudicar ninguém, então devemos fazê-lo.
Premissa 2. Transplantar os órgãos de Theresa beneficiaria outras crianças sem prejudicar Theresa.

Conclusão. Portanto, devemos transplantar os órgãos.

Argumento de que não devemos usar as pessoas como meios (Contra a doação dos órgãos de Theresa)

Premissa 1. É errado usar as pessoas como meios para os fins das outras pessoas.
Premissa 2. Retirar os órgãos de Theresa seria usá-la como meio para beneficiar outras crianças.

Conclusão. Portanto, não deve ser feito.

Argumento da incorreção de matar (Contra a doação dos órgãos de Theresa)

Premissa 1. É errado matar uma pessoa para salvar outra.
Premissa 2. Retirar os órgãos de Theresa seria matá-la para salvar outros.

Conclusão. Portanto, não deve ser feito.

Caso 2. Jodie e Mary: gêmeas siamesas, ambas morrerão se uma delas não for morta. É moralmente correto separar-las?

Argumento de que devemos salvar o maior número possível (A favor da Cirurgia)

Premissa 1. Ao separar as gêmeas, estaremos salvando tantas vidas quanto possível.
Premissa 2. Devemos sempre salvar tantas vidas quanto possível.

Conclusão. Portanto, as gêmeas devem ser separadas.

Argumento da Santidade da Vida Humana (Contra a Cirurgia)

Premissa 1. É sempre errado matar um ser humano inocente.
Premissa 2. A cirurgia para separar as gêmeas iria matar um ser humano inocente.

Conclusão. Portanto, os gêmeas não devem ser separadas.

Caso 3. Tracy Latimer: vítima de paralisia cerebral de 12 anos, com constantes dores no corpo e impossibilitada de ser medicada contra a dor. Foi morta de maneira humanitária pelo Pai, Robert Latimer. Foi moralmente errado Robert ter matado Tracy?

Argumento da Misericórdia

Premissa 1. Devemos evitar que as pessoas sintam dor sem motivos;
Premissa 2. A dor de Tracy era sem motivo algum;

Conclusão. Ao matá-la de maneira humanitária o Robert evitou que Tracy sentisse dor sem motivos.

Argumento da incorreção de discriminar os deficientes (Contra o ato de Robert)

Premissa 1. É errado discriminar os deficientes.
Premissa 2. Ao matar Tracy, Robert estava discriminando uma pessoa com deficiência.

Conclusão. Portanto, matar Tracy foi errado.

Argumentos tipo “ladeira escorregadia”

Argumento de lateira escorregadia é a forma de todo argumento que rejeita admitir um critério, limite ou exceção dizendo que: se tal critério for admitido, então facilmente podemos implicar certas consequências altamente indesejáveis que se apresentam apenas em um grau mais avançado do mesmo tipo de critério.

Ex. Ladeira escorregadia de Robert Latimer 

Premissa 1. Permitir que a ação de Robert seja considerada moralmente correta torna permissível para que outras pessoas matem outros deficientes por misericórdia.
Premissa 2. Se isso acontecer, não há nada que impeça a redução do valor da vida humana.
Premissa 3. Não devemos reduzir o valor da vida humana.

Conclusão.. Portanto, não pode ser moralmente correto Robert ter matado  Tracy.

A Concepção Mínima da Moralidade

“A moralidade é, no mínimo, o esforço de guiar a conduta pela razão – isto é, para fazer o que há as melhores razões para fazer – dando ao mesmo tempo interesses de cada indivíduo que será afetado pelo que faz “


Programa do Curso:

  1. O que é moralidade?
    • Diferença entre Ética e Moral;
    • Diferença entre Princípio Ético e Regra Moral;
  1. A linguagem dos juízos de valor e sua lógica
    • Linguagem prescritiva;
    • Imperativos e Lógica
    • Inferência
    • Decisões de Princípio
  1. Os Desafios da Ética
    • O desafio do relativismo cultural
    • O subjetivismo na ética
    • A moralidade depende da religião?
    • Egoísmo
  1. Taxonomia das teorias éticas
    • Naturalismo ético
    • Intuicionismo ético
    • Emotivismo ético
    • Racionalismo ético

Bibliografia Primária:

HARE, R. A Linguagem da Moral. Oxoford: Clarendon Press, 1952

RACHELS, S. e RACHELS, J. Os Elementos da Filosofia Moral. 7ª ed. Amgh Editora. São Paulo, 2013.

SINGER, P. Ética Prática. 3ªed. Martins Fontes. São Paulo, 2012.

Bibliografia Secundária:

BEAUCHAMP, T. L.& CHILDRESS, J. F., Princípios de ética biomédica. São Paulo: Loyola, 2002.

HARE, R., Ética: problemas e propostas. São Paulo: UNESP, 2004.

SINGER, P. (org.), A Companiot to Ethics. Oxford: Basil Blackwell, 1996.

HONDERICH, T., Morality and Objectivity. London: Routledge and Kegan Paul, 1985.

COPP, D & ZIMMERMAN, D. Morality, Reason, and Truth. Totowa: N.J., Rowman and Allanheld, 1984.

Vaz, Henrique C. de Lima, Escritos de Filosofia II: Ética e Cultura. São Paulo: Edições Loyola, 1988.

Deixe um comentário

About the blog

Welcome to my blog. Each post offers a chance to delve into topics that challenge everyday life and broaden horizons about language, logic and ethics. I invite you to discover and participate in this dialogue.

Get updated

Subscribe to our newsletter and receive our very latest news.

Voltar

Sua mensagem foi enviada

Atenção
Atenção
Atenção!